sexta-feira, 29 de maio de 2009

Messias

Nós fomos mal acostumado desde criança a esperar um Messias. As meninas doutrinadas pelos contos de fadas - com príncipes encantados e essa coisa toda. Os meninos com o Superman, Pelé, e salvadores de todo tipo. Então o tempo passa, a gente cresce, e essa coisa fica fervilhando no inconsciente, como uma necessidade suspensa, latente; mas sempre vêm a tona quando alguma coisa dá errado. A religião reforça essa crença todo tempo, e quem se converte acaba perfilado numa catedral da Igreja enchendo os bolsos de pastores dissimulados, ou padres hipócritas. A medicina também dá sua dose de compensação, pois há quem encontre o Messias em anti-depressivos e tranqüilizantes. Bom, quem não se dobra por essas compensações acaba reprimindo os fracassos, e vivendo num mundo só seu, numa bolha irreal onde tudo funciona, mas esse mundo de sonhos é meramente representativo, uma ilustração subjetiva da realidade... No fim das contas, a gente quer aquilo que nos ensinaram a querer, aquilo que nos educaram a desejar: alguém pra passar a mão na nossa cabeça, alguém que aceita nossas faltas, alguém que ignora nossa chatice e egoísmo, enfim, um Messias. É fato que tem gente que encontra isso no amor, mas em troca, tem que ser o Messias do Outro. Fardo pesado, diga-se de passagem, pra quem só queria um pouco de paz...

Marcos Vinícius*
*Reside em Luminárias, funcionário público e Graduando em Filosofia pelo UNIS/MG, contista laureado no III Concurso de Contos da UFSJ http://prosacom.blogspot.com/

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